Entre todos os desportos, a natação ocupa um lugar especial na tradição muçulmana. Mencionada nos textos juntamente com o tiro com arco e a equitação, e recomendada aos pais para a educação dos seus filhos, ela reúne aquilo que o Islão valoriza na atividade física: o cuidado com o corpo, a utilidade prática e a autodisciplina.
Mas o que dizem de facto As fontes? Que texto é autenticamente atribuído ao Profeta ﷺ e qual é que provém das palavras de um Companheiro? E como conciliar a prática da natação com as regras de recato? Em Calças de banho, esta é uma pergunta que os nossos clientes nos fazem todas as semanas. Aqui fica uma resposta completa, fundamentada e sem aproximações.
📋 Índice
1. O desporto no Islão: um corpo que tem direitos
2. A natação nos textos: o que as fontes dizem realmente
3. Os benefícios da natação para o corpo e a mente
4. Nadar respeitando a decência: as regras a ter em conta
1. O desporto no Islão: um corpo que tem direitos
Antes mesmo de falarmos de natação, é preciso recordar um princípio fundamental: no Islão, o corpo é um depósito (amâna) confiado por Alá, e preservá-lo é da responsabilidade do crente. O Profeta ﷺ expressou-o de forma inequívoca a ‘Abdullah ibn ‘Amr, que se esgotava na adoração:
«O teu corpo tem direitos sobre ti.»
— Relatado por al-Bukhari (n.º 1975), segundo ‘Abdullah ibn ‘Amr ibn al-‘As
O Alcorão vai no mesmo sentido, proibindo que se negligencie a própria preservação: «E não vos lancem, com as vossas próprias mãos, para a destruição» (sura Al-Baqara, 2:195) e estabelecendo a regra de ouro da moderação: «Comam e bebam, mas não exagerem» (sura Al-A’râf, 7:31).
Por fim, o hadith que está na base de toda a visão muçulmana da força física:
«O crente forte é melhor e mais amado por Alá do que o crente fraco, embora haja bondade em cada um deles.»
— Relatado por Muslim (n.º 2664), segundo Abu Huraira
A força a que nos referimos aqui engloba a fé e a vontade e a forma física: um corpo bem cuidado serve melhor à família, à comunidade e à adoração. O desporto não é, portanto, um mero passatempo tolerado — é uma forma de honrar um legado.
2. A natação nos textos: o que as fontes dizem realmente
É aqui que se impõe rigor, pois existe uma grande confusão a circular. A famosa citação «Ensinem os vossos filhos a nadar, a praticar tiro com arco e a andar a cavalo» é frequentemente atribuída ao Profeta ﷺ. Na realidade, esta formulação completa é uma palavras de ‘Omar ibn al-Khattab, o segundo califa, que a escreveu, nomeadamente, aos habitantes de Châm. Está registada no Kanz al-‘Ummâl.
O hadith profético, por sua vez, é transmitido por al-Bayhaqi, segundo Ibn ‘Omar :
«Ensinem os vossos filhos a nadar e a praticar tiro com arco.»
— Relatado por al-Bayhaqi, segundo Ibn ‘Omar
Outro hadith, transmitido por al-Tabarani, inclui explicitamente a aprendizagem da natação entre os raros passatempos plenamente valorizados:
«Qualquer ação em que não esteja presente a menção a Alá é uma distração, com exceção de quatro: caminhar entre os dois alvos (no tiro com arco), domar o cavalo, brincar com a família e aprender a nadar.»
— Relatado por al-Tabarani
A mensagem geral é clara e há consenso entre os especialistas: a natação faz parte das atividades físicas incentivadas pela tradição, tanto pela saúde que proporciona, como pela competência vital que representa (saber nadar pode salvar uma vida — a própria ou a de outra pessoa) e pela disciplina que incute. Algumas cadeias de transmissão são objeto de discussão entre especialistas em hadith, mas a recomendação de fundo, por si só, não é contestada por ninguém.
3. Os benefícios da natação para o corpo e a mente
A sabedoria desta recomendação confirma-se plenamente nos dias de hoje. A natação é regularmente considerada um dos desportos mais completos que existem:
Um desporto completo e sem impacto
A natação trabalha todas as cadeias musculares — costas, ombros, músculos abdominais, pernas — ao mesmo tempo que é levada pela água : sem impacto nas articulações, na coluna e nos joelhos. É um dos poucos desportos que se pode praticar dos 7 aos 77 anos, quer se tenha excesso de peso, esteja em convalescença ou em plena forma, cada um ao seu ritmo.
Resistência, coração e respiração
Nadar regularmente desenvolve a capacidade cardiorrespiratória e a resistência de fundo. O controlo da respiração, imposto pela imersão, é um treino em si mesmo — o mesmo que procuram os praticantes de disciplinas de respiração e concentração.
Uma sensação de tranquilidade para a mente
O contacto com a água, a regularidade do movimento e o silêncio da imersão proporcionam um efeito calmante que todos os nadadores conhecem: as tensões do dia vão-se dissipando à medida que se dão as voltas na piscina. Para quem é crente, este momento de calma pode até tornar-se uma oportunidade de meditação e de gratidão perante a criação.
Uma competência que pode salvar vidas
Talvez seja esta a razão mais profunda por detrás da recomendação profética: saber nadar não é apenas um passatempo, é uma competência de sobrevivência. Um homem que sabe nadar pode salvar-se a si próprio, salvar o seu filho e prestar socorro. Ensinar a nadar é ensinar a proteger.
4. Nadar respeitando a decência: as regras a ter em conta
Recomendar a natação não significa praticá-la de qualquer jeito. A modéstia (al-hayâ’) está no cerne da fé muçulmana:
«A modéstia é um dos pilares da fé.»
— Relatado por al-Bukhari (n.º 9) e Muslim (n.º 35), segundo Abu Huraira
No que diz respeito ao homem, a maioria dos especialistas considera que a ‘A ‘awra estende-se do umbigo até aos joelhos, baseando-se, nomeadamente, no hadith de Jarhad al-Aslami, a quem o Profeta ﷺ disse:
«Cobre a tua coxa, pois a coxa faz parte da ‘awra.»
— Relatado por at-Tirmidhi (n.º 2795) e Abu Dawud (n.º 4014)
A isto acrescenta-se a proibição de olhar para a ‘awra de outrem: «O homem não deve olhar para a ‘awra de outro homem, nem a mulher para a ‘awra de outra mulher» (relatado por Muslim, n.º 338). Na prática, para o nadador muçulmano, isto significa:
Usar um fato de banho que cubra desde o umbigo até aos joelhos, opaco mesmo quando molhado — exatamente para isso que o calção de banho tipo sarouel foi concebido, ao contrário do calção de banho clássico, que deixa a coxa à mostra.
Baixar o olhar e dar preferência, sempre que possível, aos horários e locais onde é mais fácil preservar a modéstia: praias tranquilas, horários de menor afluência, piscinas privadas ou horários reservados.
Escolher um fato de banho que não se desloque durante o exercício: cinto com cordão, corte estudado, eventualmente com leggings integradas para garantir a cobertura durante o movimento.
Quanto a este último ponto, a escolha do modelo é extremamente importante, dependendo se nada no mar, numa piscina privada ou numa piscina municipal. Dedicámos um guia completo a esta questão: Calções de banho tipo sarouel com ou sem lycra incorporada: quais escolher?
5. Transmitir o gosto pela natação aos filhos
A recomendação dos textos destina-se, em primeiro lugar, aos pais : cabe-lhes ensinar — ou fazer com que se ensine — a nadar. Algumas dicas práticas para o fazerem com tranquilidade:
Começar cedo, sem forçar. A familiarização com a água pode começar desde muito cedo, através da brincadeira; a aprendizagem técnica dos estilos de natação vem a seguir, geralmente a partir dos 5-6 anos. O objetivo principal não é o desempenho, mas sim a facilidade e a segurança na água.
Ensinar o pudor ao mesmo tempo que se ensina a nadar. Habituar o filho, desde a infância, a usar roupa que cubra o corpo quando vai nadar faz com que isso se torne algo perfeitamente natural na adolescência, idade em que a cobertura da ‘awra se torna uma obrigação. É um presente que se oferece ao adulto em que ele se tornará.
Dar o exemplo. Um pai que nada com os seus filhos, vestindo roupa recatada, transmite três coisas ao mesmo tempo: uma competência vital, o amor por um desporto recomendável e uma prática concreta da recato. É essa a essência da sunna da educação pelo exemplo.
6. Perguntas frequentes – Natação e Islão
O hadith «Ensinai aos vossos filhos a nadar, a praticar tiro com arco e a montar a cavalo» é autêntico?
Esta formulação completa é uma frase de ‘Omar ibn al-Khattab, e não do Profeta ﷺ. O hadith profético transmitido por al-Bayhaqi, segundo Ibn ‘Omar, menciona a natação e o tiro com arco: «Ensinai aos vossos filhos a nadar e a praticar o tiro com arco.» O cerne da recomendação — incentivar a aprendizagem da natação — é objeto de consenso entre os eruditos.
É permitido nadar na piscina pública?
O banho, por si só, é permitido e até encorajado. O que é regulamentado é o contexto: cobrir a ‘awra‘ (do umbigo aos joelhos, no caso dos homens), não expor o olhar às «awrât» dos outros e, sempre que possível, dar preferência aos horários mais tranquilos ou reservados. Muitas piscinas francesas impõem, além disso, fatos de banho justos: um calção de banho com leggings de lycra integradas permite conciliar o regulamento com a recatada.
A natação invalida o jejum durante o Ramadão?
Nadar durante o jejum é permitido, desde que se tenha o cuidado de não deixar que a água entre deliberadamente na garganta. Por precaução, muitos especialistas recomendam evitar mergulhos e imersões prolongadas durante o jejum. O mais simples continua a ser nadar após o fim do jejum.
Que fato de banho devo usar para respeitar a ‘awra?
No caso dos homens, o fato deve cobrir desde o umbigo até aos joelhos e permanecer opaco quando molhado. O calção de banho de estilo sarouel cumpre exatamente estes requisitos: corte que desce abaixo do joelho, tecido opaco e cintura com cordão que mantém o calção no lugar durante a natação. É o equivalente masculino do burkini.
A partir de que idade é que um rapaz deve cobrir-se quando vai nadar?
A obrigação de cobrir a ‘awra aplica-se a partir da puberdade. Dito isto, os eruditos recomendam que se habitue a criança gradualmente antes dessa idade, tal como acontece com a oração, para que a prática seja natural quando chegar o momento. Existem calções de banho em tamanhos infantis precisamente para esse efeito.
Nade de acordo com a sunna, com toda a recato
Calções de banho tipo sarouel para homem e criança, que cobrem desde o umbigo até aos joelhos, opacos e de secagem rápida. Entregas em França e no estrangeiro — oferecida a partir de 99 € de compra num ponto de recolha na França metropolitana.
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